Archive for the ‘Análise Econômica’ category

Tendências do Agrobusiness para 2009-2010

27/07/2009

O biênio de 2009 e 2010 certamente apresentará um movimento acentuado na dinâmica econômica da agricultura. Incorporando os efeitos da crise financeira do segundo semestre de 2008, o primeiro e segundo trimestre de 2009 apresentou alguns dados negativos, porém, este cenário tende a ser mais favorável para o terceiro e quarto trimestres, com o fechamento do PIB Agropecuário em 1,25%. Para 2010, as projeções apontam para um crescimento do PIB Agropecuário de 4,1% o qual será influenciado principalmente pela recuperação da renda mundial que poderá provocar valorização dos preços devido ao aumento da procura pelas commodities grãos.

Evolução PIB

Fatores naturais ocasionaram algum desajuste na relação entre oferta e demanda nos primeiros meses de 2009. A estiagem na região sul do Brasil, na principal região produtora agrícola da Argentina e alguns locais da China se refletiram nas variações dos preços dos principais grãos no mercado internacional. Outro ponto de preocupação residiu na relação amistosa entre produtores e o governo Argentino no tocante às exportações de grãos, o que gerou preocupações nos mercados, pois, a Argentina possui um peso importante na estrutura de oferta mundial de grãos. Em virtude do processo de deterioração da oferta, produtores reviram as áreas de plantio da soja e do milho, principalmente os produtores americanos.

Nem mesmo a histórica correlação existente entre a soja e o petroleo foi capaz de sustentar as posições especulativas em torno do grão, sinalizando menores estoques nos EUA e fortes compras pelo governo Chinês, sua cotação iniciou uma trajetória de alta nos últimos meses.

SOJA

Mesmo que isso venha acontecer espera-se a não ocorrência de movimentos bruscos na dinâmica do setor, principalmente no mercado interno que está apresentando sensível manutenção da renda agrícola devido ao efeito cambial, cuja a taxa média muito superior da apresentada em 2008, sustentou os ganhos em reais do setor. Por outro lado, a principal preocupação continua sendo os funding para o plantio da safra 2009/2010.

Desta forma os ganhos do setor em 2010 não estarão atrelados tão somente ao câmbio, que deverá apresentar certa valorização em relação a 2009. Os ganhos, portanto, deverão ser obtidos pelo aumento dos preços no mercado internacional devido à retomada do consumo mundial.

Do ponto de vista das expectativas para os próximos trimestres e para o ano de 2010, nota-se que o nível da renda mundial será determinante para traçar qualquer cenário. Seguindo este raciocínio, e antecipando o futuro do mercado, nota-se posições sendo montadas em relação ao mercado futuro por agentes que atuam na ponta especulativa. Todo movimento no mercado futuro deve ser analisado de forma crítica para que os produtores não venham a sofrer grandes perdas.

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E agora Prefeito? Reflexões para o Gasto Público Eficiente em Tempos de Crise

20/05/2009

A teoria econômica do gasto público sempre apontou para a direção da eficiência dos dispêndios. Ou seja, o ponto ótimo para o gasto seria a relação “gastar menos e melhor”. Através dessa afirmação os economistas e administradores públicos buscam separar as necessidades do interesse político das necessidades da eficiência econômica.

Além disso, nas cadeiras dos cursos de economia e administração pública o aluno aprende desde cedo que quanto mais eficiente um governo for em termos de gestão pública e financeira, maior a propenção ao crescimento econômico, seja para qual esfera de governo apontarmos.

Várias pesquisas econômicas relacionadas ao tema da eficiência fiscal sugeriram um alinhamento entre a sustentabilidade fiscal, crescimento econômico e desenvolvimento do bem estar social. De fato, não precisamos de muitas reflexões para chegarmos a conclusão que estas pesquisas deduziram. Exemplos típicos de cidades mal administradas mostram a perversidade que os maus administradores condicionaram o futuro da economia local. Esta perversidade está coligada com as dívidas fiscais e outros tipos de endividamentos criados por pessoas eleitas sob a guarda da democracia e patronos da gestão financeira.

 Quando a relação dívida/pib, municipal no caso, extrapola a capacidade de pagamento do município o administrador está colocando em xeque o futuro das finanças e do crescimento potencial daquele município. Ou seja, todo potencial que o município, estado e país oferece estará comprometida com uma dívida futura. Aí vale a questão: qual empresa  irá investir num município falido ou com o futuro comprometido?

Empresas são as grandes geradoras de empregos e de riqueza, por conseguinte do  crescimento econômico e bem estar. Estados e Municípios deveriam ser os grandes geradores de mão de obra de qualidade, de infraestrutura e da busca da transparência fiscal para com o contribuinte.

A curva de retorno dos municípios que investiram em educação e formação técnica é muito mais amplificada do que a curva de retorno dos municípios que ignoraram esta componente essencial. Em tempos de crise quanto mais capacitada a mão-de-obra estiver, mais preparado o município estará para enfrentar as adversidades.

Porém, como economista de formação aprendi uma regra essencial nos manuais de macroeconomia e política econômica: os recursos são finitos e gastos  tendem a ser  infinitos. Enfim, em tempos de crise temos que ter como premissa base que os recursos serão mais finitos, por isso, sugiro o axioma inicial: gastar menos e melhor.


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